Alimentação balanceada, compromisso com um futuro saudável e prevenção contra doenças que ameacem o desempenho do organismo. A última década insistiu – com razão – em promover hábitos que priorizassem a saúde de cada indivíduo e o posicionassem como principal agente desta transformação.
Redes de fast-food atropelaram-se para cortar os quilos extras dos seus menus e divulgar iniciativas lights. “Outras” redes aproveitaram seu compromisso de sempre para mostrar que estavam certos, sim, ao se apoiarem em garotos-propaganda-recém-emagrecidos e suas calças gigantes da época gulosa. Super Size Me? No way!
A primeira comemoração veio por parte dos consumidores. Todos poderiam sair de casa e, mesmo assim, encontrar algo saudável para comer. No entanto, o que parecia ser um céu de brigadeiro (ops...) acabou dando espaço para outro tipo de consumidor: aquele que - por mais assustador que pareça - não queria ser saudável.
Péra aí! Eles existem? Claro que sim! E parecem buscar alternativas calóricas para contrapor a preocupação dos outros. Um exemplo são os assentos “all-you-can-eat”, disponíveis em alguns estádios americanos. O funcionamento é simples como parece: o fã vai ao estádio, relaxa em seu assento e come - sem limites ou restrições calóricas – tudo que for condenável pela balança (o cardápio básico inclui cachorro-quente, pipoca e refrigerante).
O que parecia ser uma idéia reprovável está ganhando cada vez mais adeptos, mesmo que isso signifique pagar até 30 dólares extras por assento. Estádios de baseball e quadras de basquete já aceitaram o paradoxo “esporte saudável x platéia faminta” e reservam parte das suas cadeiras para a novidade.
Entre gritos de “defense, defense!”, os nutricionistas se revoltam e as platéias se deleitam. A indigestão? Bom, essa fica para o anunciante, que precisa mastigar bem a tendência e encontrar formar criativas para comunicar seus produtos sem melar os dedos.
A junção mídia/imparcialidade é um dos maiores paradoxos do nosso tempo.
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