“Proibido tocar Stairway to Heaven”. A plaquinha, pendurada na loja de instrumentos musicais do filme Wayne’s World, nunca foi só um alerta para cabeludos iniciantes. A mensagem ensinava que, para “honrar” uma Fender Stratocaster ou uma Gibson Les Paul, era preciso ter os dedos marcados pelo aço fétido das cordas, mastigar de boca aberta e rosnar para velhinhas inofensivas. Yeaaaaaaah!
Para muitos esta atitude transgressora (hey, ho, let`s go!) deu certo. Alguns artistas amplificaram suas contas bancárias na mesma proporção com que trocaram de esposas e criaram rugas. Aliás, não estranhe se você encontrar muitos deles fazendo shows por aí com suas bolsinhas de soro a tiracolo e anéis de caveira. Mas o curioso é que, nesta mesma geração passada, hipnotizados pela plaquinha poeirenta, havia um bloco tímido, obediente, criativo e que optou por desviar do palco por acreditar que não se encaixava no perfil. Búúúúúuúúú’!
Bom... aí surgiu um tal de Guitar Hero! Crianças, jovens, velhos e, claro, os próprios roqueiros de antigamente agarraram-se às suas teclas coloridas. Turmas amontoaram-se para disputar cada dedilhado digital em festinhas particulares. Bares no Canadá e nos EUA promoveram “Guitar Hero Nights”. Bandas como Metallica se renderam à tecnologia que um dia tentaram esconder. Ilustrações do jogo passaram a estampar camisetas de uma comunidade cada vez mais afinada.
Se você faz o tipo que precisa de números para se convencer, aumente o volume: já foram vendidos mais de 21 milhões de unidades do joguinho, o que significa receita de mais de 1 bilhão de dólares. Mais de 20 milhões de músicas foram comercializadas como conteúdo para download. Pesquisa feita pela Brown University mostrou que 76% dos jogadores compraram a música original que serviu de trilha para a diversão. Rápido, fácil, divertido e lucrativo.
A melodia que precisamos decorar nisso tudo é: comportamentos criativos precisam ser constantemente estimulados e, em alguns casos, ressuscitados. Oferecer alternativas para que nossas inibições passadas modelem as divertidas manias futuras deve ser um exercício constante para que as estratégias soem como música para os ouvidos...
... Sejam estes os dos seus clientes ou de um mercado que há tempos parou de ouvir.
Yeaaaaaaah?
A junção mídia/imparcialidade é um dos maiores paradoxos do nosso tempo.
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