- E esta é a estratégia para chocolates.- Gostei!- Legal!- Demais!- Que porcaria...- Ei! Quem é você?- O cara que come isso aí.
Quando foi a última vez que você perguntou a opinião do cara que efetivamente consome seu produto? Ou melhor, o que você faria se esta opinião fosse diferente do que sua equipe estratégica imaginou como ideal? Daria um tapinha nas costas e algumas amostras grátis ou pediria mais uma cadeira na sala de reuniões?
O cara que consome seus produtos pode ter gírias esquisitas, tatuagens que só ele entende, piercings estranhos (sim, aquela coisinha pendurada na sobrancelha tem nome) e calça furada. Não importa. A principal força dele está no conhecimento que absorve na rua que você não mora, na balada que você não vai, no círculo de amigos que você não tem, na música que você não ouve e no comportamento que você... bom, muitas vezes não aprova.
Muitas marcas já perceberam que “aceitar” esse cara é fundamental para desenvolver estratégias que se diferenciem e atinjam o público certo (ironicamente, cheio destes mesmos caras). Exemplos disso são as ações “For The Love of Wispa” e Jeep Experience.
Na primeira, a Cadbury atendeu aos consumidores desesperados pela volta do chocolate Wispa. Como a experiência faz parte do desejo, foi criado um hotsite convidando os fãs a mostrarem seu amor pelo Wispa. Os fãs puderam escolher como queriam divulgar esse retorno e mostrar o sentimento que sempre guardaram pelo produto. A marca ouviu seus consumidores e decidiu trazer de volta o chocolate, após 20 milhões de barras vendidas em sete semanas.
No case do Jeep, foi observado que o total de fotos dos veículos no Flickr (como assim não conhece?) ultrapassava seus principais concorrentes. Como “a web do consumidor é a web de Deus” (ditado novo...), a marca desenvolveu uma ação online utilizando o conteúdo gerado pelos próprios consumidores. Lá as pessoas podem adicionar fotos, vídeos e notícias, além de comentar sobre os produtos, criar comunidades e ficar por dentro dos eventos da marca.
Quer entender a língua do cara que compra seu produto? Você tem duas alternativas: ou faz um piercing na sua e vive a mesma sensação (alternativa dolorosa) ou começa a ouvir o que ele tem a dizer sem tratá-lo como inocente (alternativa corajosa).
A junção mídia/imparcialidade é um dos maiores paradoxos do nosso tempo.
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