“Foco pra onde? U-hu!Branding pra quê? Aê!Quem tá na crise só precisa é vender!Vender! Vender! Eeeeeeee!”
2009 trouxe a crise. A crise trouxe a preocupação. A preocupação trouxe o desespero. O desespero trouxe ideias afobadas. E estas ideias... bem, trouxeram mais crise (além de gritos de guerra esquisitos).
Não há dúvida de que a crise está na boca do povo. Enxugamento, controle de processos, números na ponta da planilha, transferências de verbas e corte nos custos deixaram de ser coisa de especialista. Nada mais justo, já que ela pertence a todos.
O fator realmente crítico surge quando soluções desesperadas são decretadas como fórmulas mágicas (“como não pensei nisso antes?”). Vender é importante, sim. Mas isso não significa passar o produto na cara do seu consumidor. Pensar em interações que preservem experiências rentáveis por mais tempo deve ser um esforço constante.
Regina Augusto, editora do Meio&Mensagem, comentou em sua coluna semanal o lado perverso das mudanças de comportamento durante a crise. No texto, ela diz:
“Alterações de processos e enxugamentos são rapidamente absorvidos e acabam se tornando padrão, ditando os passos futuros independentemente de uma recuperação e da volta a um ambiente mais seguro.”
Tão importante como criar estratégias de contingência (famoso plano B...) é reconhecer o momento da retomada como nova oportunidade. Do contrário, o comprometimento criativo passa a ser um esforço visionário, sem força de execução ou propósito.
Agora, isso demanda coragem e percepção dos interesses da marca. Você analisou sua estratégia e percebeu que não há outra saída a não ser cortar investimentos? Ok, vai fundo. Mas prometa uma coisa: cortar também as más ideias.
Em crise ou não, o mercado agradece.
A junção mídia/imparcialidade é um dos maiores paradoxos do nosso tempo.
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